segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Pedagogia moderna: foco na inteligência apenas?

Nas últimas décadas, notam-se louváveis esforços no sentido de resgate da visão do homem como um todo na educação, como Howard Gardner, professor de Neurologia na Boston School of Medicine e de Psicologia na Harvard University, com sua "Teoria das inteligências múltiplas" (1983), em que a inteligência humana é apresentada como tendo várias facetas, ampliando os horizontes pedagógicos que haviam se restringido apenas às inteligências linguística e lógico-matemática. Estas por sinal são a base também para os testes de QI (Quociente Intelectual), hoje muito contestados, e com razão, porém, tanto em voga até há pouco. Encontramos casos curiosos de testes de QI aplicados a esportistas célebres que os apontaram no limite da debilidade mental... Outras inteligências - ou seja, talentos, capacidades e habilidades mentais - deveriam igualmente ser trabalhadas, segundo Gardner, como a visual/espacial, a corporal/cinestésica, a musical, a interpessoal e a intrapessoal. Por que matemática, por exemplo, seria mais importante do que música? Concepção essa mais holística, que é aceita geralmente pelos educadores contemporâneos. Um progresso, sem dúvida. Embora, diga-se de passagem, não esteja ainda nossa legislação educacional devidamente atualizada quando permite que os exames de reclassificação se restrinjam às disciplinas de português e matemática simplesmente. Quantos futuros artistas e esportistas que quiçá serão famosos, um dia, não estarão sendo prejudicados hoje?

Porém, o foco da atenção da grande maioria dos educadores modernos é o mecanismo da inteligência, o funcionamento do cérebro, a epistemologia no homem, o que não é suficiente, pois não abarca a pessoa inteira. Procura-se reduzir o homem à matéria, não considerando estudos científicos recentes que revelam como a percepção e as atividades mentais são metaneuronais.

Se a percepção é metaneuronal, com maior razão o deve ser a atividade mental, o pensamento. A primeira atividade mental é a formação de conceitos ou idéias, operação que consiste em eliminar o acidental de uma coisa, para ficar com sua essência. [...] Portanto, devemos concluir que: se para chegar à abstração prescindimos de toda informação sensorial, que é a que nos proporcionam os neurônios, o processo de abstração há de ser metaneuronal. [...] Se não é o cérebro o que se encarrega de abstrair, quem é o responsável desta função? Segundo Aristóteles [...] é o entendimento agente, que como atividade anímica que é, não reside no cérebro mas corresponde à pessoa, composto substancial de corpo e alma (SANZ, 2007: 140-141, tradução nossa).

Naturalmente, as novas descobertas no campo da psicologia e da neurologia são muito úteis, porém, segundo aponta a antropologia cristã, há uma falha capital ao não se considerar a alma humana e o primordial papel da vontade na educação de uma criança. Estuda-se o corpo humano, sobretudo o cérebro e seu funcionamento; ignora-se a alma. Sobretudo ignora-se a realidade dos efeitos do pecado original nas potências da alma: inteligência, vontade e sensibilidade. Sendo o homem principalmente alma, a qual, como espírito, é superior à matéria, não se considera o que de mais importante há no ser humano. Daí, a crônica insuficiência notada na pedagogia moderna, nos seus múltiplos e variados sistemas de ensino.

Com todo o avanço técnico, não é recorrente a queixa entre os educadores quanto à baixa qualidade dos estudantes, e do nível de aprendizagem? Quem ousaria afirmar que os jovens de hoje aprendem mais e estão mais preparados que seus pais ou avós, na mesma idade?
Pelos frutos se conhece a árvore, diz o provérbio popular.

Pe. Ricardo Basso, EP

domingo, 9 de janeiro de 2011

QUEM É O PADRE LÉO ?

Tarcísio Gonçalves Pereira – mais conhecido como padre Léo –, nasceu no dia 9 de outubro de 1961, em Delfim Moreira (MG), filho de Joaquim Mendes e Maria Nazaré. Veio de uma família simples e sempre quis ser padre. Entrou para a Renovação Carismática Católica (RCC) em 1973. Era músico, cantor, compositor, apresentador, pregador e escritor. Aos 12 de outubro de 1995, fundou a Comunidade Bethânia, que, hoje, conta com mais de 30 membros e 5 casas espalhadas pelo Brasil, cuja missão é restaurar jovens dependentes químicos, portadores de HIV e marginalizados em geral.

Essa missão começou quando padre Léo atendia jovens envolvidos com drogas e se sentiu chamado a ajudá-los de forma mais completa. Irreverente e profundo em suas pregações, atraía milhares de pessoas em todos os encontros que promovia, pois era grande conhecedor das Sagradas Escrituras.

Escreveu 7 livros pela Editora Canção Nova e 14 pela Loyola. O último, recentemente lançado no ‘Hosana Brasil 2006’, intitula-se “Buscai as Coisas do Alto”, escrito durante o tratamento, período em que se submetia a sessões de radioterapia e quimioterapia. Sempre com bom humor e entusiasmo pela vida, o sacerdote dehoniano começou o tratamento contra o câncer em abril de 2006 e, mesmo debilitado, esteve presente no ‘Hosana Brasil 2006’ em dezembro, visivelmente abatido pelo longo tratamento, fez uma surpreendente pregação.




PADRE LEO DIZ DE SI MESMO

“Sou um sujeito que desde criança quis ser padre; e muito pobre, tentei ir para o seminário, mas não fui aceito. Então fui trabalhar até conseguir ter roupas suficientes, fazer meu enxoval. Fui para o seminário com 21 anos.
Tinha namorada, fui noivo, e descobri a Congregação Coração de Jesus, que é o que eu tento viver: Quero ser um homem do Coração de Jesus. Vivo no meio de jovens drogados, prostituídos, aidéticos. Tento ser um deles e eles me ensinam muito.”



COMUNIDADE BETHÂNIA
http://www.bethania.com.br






TRABALHO EVANGELIZADOR

“ Dando prosseguimento ao seu trabalho evangelizador, fundou em 1995 a Comunidade Bethânia, em São João Batista (SC), da qual era presidente. A Comunidade tem como objetivo acolher e oferecer tratamento a dependentes químicos, alcoólatras e portadores do vírus HIV, além de menores abandonados, e marginalizados em geral.
Através de acompanhamento espiritual e evangelização, com o auxílio de profissionais das áreas da medicina e psicologia, a Bethânia tem ajudado a recuperar dezenas de jovens e a reintroduzí-los na sociedade. Hoje, além de São João Batista, a comunidade tem casas em Curitiba, Foz do Iguaçú e Guarapuava.”

Em Curitiba, mais de 400 pessoas já passaram pela comunidade, com um alto índice de recuperação. O período mínimo de permanência na casa é de cinco meses. Muitas, após a recuperação, se “consagram” na comunidade, ou seja, se tornam membros permanentes da Bethânia, trabalhando na recuperação de outros pacientes. Devido a sua atividade na cidade, em 2001 recebeu o Título de Cidadão Honorário de Curitiba..”





RENOVAÇÃO CARISMÁTICA

“ Pe. Léo entrou na Renovação Carismática em 1973 e na Comunidade Canção Nova participou de momentos importantes. Apresentou diversos programas na TV Canção Nova, como “Tenda do Senhor” e “Feliz a Cada dia”, bem como foi locutor na Rádio, no programa “Cantando a Vida”. Além disso, reuniu no Rincão do Meu Senhor e no Centro de Evangelização Dom João Hipólito de Moraes em Cachoeira Paulista inúmeras pessoas que participaram de suas palestras. Em sua última pregação feita durante o Hosana Brasil, realizado entre os dias 08 e 10 de dezembro, estiveram presentes cerca de 30 mil pessoas.
Essa é uma grande perda para as comunidades Bethânia e Canção Nova. Para Pe. Jonas, fundador da Canção Nova, padre Léo dava a vida em Bethânia, mas, ao mesmo tempo, ele tinha um ardor apostólico e se sentia impelido a andar pelo Brasil inteiro evangelizando. “O que o padre Léo fez foi exatamente isso, mostrou Jesus a tanta gente. Devemos agradecê-lo pelo exemplo, especialmente nós que tivemos o privilégio de viver muito próximos dele. Ele sempre deixou muito claro que ele era nosso irmão, mas era de Deus”, destaca Pe. Jonas. ”

Pode um católico ser maçom?

O que diz a Igreja Católica?
O que diz a Maçonaria?

Deixemos que as partes envolvidas, a Igreja Católica e a própria Maçonaria, respondam estas indagações.

D. João Evangelista Martins Terra, bispo auxiliar da Arquidiocese de Brasília, escreveu um livro que aborda justamente este assunto: "Maçonaria e Igreja Católica", que é uma pesquisa histórica sobre a maçonaria, sua expansão e situação no mundo de hoje, especialmente no Brasil. Faz uma análise dessa organização e apresenta a posição da Igreja Católica pós-conciliar.

Usaremos este livro para mostrar a posição da Igreja Católica para com a maçonaria e como ela orienta a seus fiéis e clérigos.

O Código de Direito Canônico (Obra citada, pág. 70 a 72)

"O Código de Direito Canônico de 27-5-1917 contém os seguintes cânones relativos à maçonaria":

Cân. 684: "Os fiéis fugirão das associações secretas, condenadas, sediciosas, suspeitas ou que procuram subtrair-se à legítima vigilância da Igreja".

Cân. 2333: "Os que dão seu próprio nome à seita maçônica ou a outras associações do mesmo gênero, que maquinam contra a Igreja ou contra os legítimos poderes civis, incorrem ipso facto na excomunhão simpliciter reservata à Sé Apostólica".

Cân. 2336: "Os clérigos que cometeram o delito de que tratam os cânones 2334 e 2335 devem ser punidos, não somente com as penas estabelecidas nos cânones citados, mas também com a suspensão ou privação do mesmo benefício, ofício, dignidade, pensão ou encargo que possam ter na Igreja; os religiosos, pois com a privação do ofício e da voz ativa e passiva e com outras penas de acordo com suas constituições. Os clérigos e os religiosos que dão o nome à seita maçônica ou a outras associações semelhantes devem, além disso, ser denunciados à Sagrada Congregação do Santo Ofício".

Cân. 1399, nº 8 - são ipso facto proibidos: "Os livros que, tratando das seitas maçônicas ou de outras associações análogas, pretendem provar que, longe de serem perniciosas, elas são úteis à Igreja e à sociedade civil".

Ver ainda os cânones: 693; 1065; § 1 e § 2, 1240; 1241.

"Desses cânones do Código de 1917 resulta claramente que:

Todo aquele que se inicia na maçonaria, incorre, só por este fato, na pena de excomunhão (cân. 2335).

Por ter incorrido na excomunhão, todo maçom: a) deve ser afastado dos sacramentos (confirmação, confissão, comunhão, unção dos enfermos), ainda que os peça de boa fé (cân. 2138, § 1); b) perde o direito de assistir aos ofícios divinos, como sejam: A Santa Missa, a recitação pública do Ofício Divino, procissões litúrgicas, cerimônias da bênção dos ramos etc. (cf. cân. 2259, § 1; 2256, n. 1); c) é excluído dos atos eclesiásticos legítimos (cân. 2263), pelo que não pode ser padrinho de batismo (cân. 765, n. 2) nem de crisma (cân. 795, n. 1); d) não tem parte nas indulgências, sufrágios e orações públicas da Igreja (cân. 2262, § 1).

O maçom não pode ser admitido validamente nas associações ou irmandades religiosas (cân. 693).

Os fiéis devem ser vivamente desaconselhados de contrair matrimônio com maçons (cân. 1065, § 2).

Só após prévia consulta do bispo e garantida a educação católica dos filhos, pode o pároco assistir ao casamento com um maçom (cân. 1065, § 2).

O maçom falecido, sem sinal de arrependimento, deve ser privado da sepultura eclesiástica (cân. 1240).

Deve-se negar aos maçons qualquer missa exequial, assim como quaisquer ofícios fúnebres públicos (cân. 1241).

O Santo Ofício declarou, no dia 20 de abril de 1949, numa resposta ao bispo de Trento, que nada tinha mudado na disciplina do Código de Direito Canônico a respeito da maçonaria".

Façamos então uma nova pergunta: A situação hoje ainda é a mesma? Ou houve alguma mudança?

Em 27 de novembro de 1983, entrou em vigor um novo Código de Direito Canônico: "O Novo Código apresenta um cânon relativo à maçonaria":

Cân. 1374: "Quem se inscrever em alguma associação que maquina contra a Igreja seja punido com justa pena; e quem promover ou dirige uma dessas associações, seja punido com interdito". (Obra citada, pág. 99).

No mesmo dia em que entrava em vigor o novo Código de Direito Canônico, L'Osservatore Romano publicava esta Declaração da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, sobre a maçonaria:

"Foi perguntado se mudou o parecer da Igreja a respeito da maçonaria pelo fato de que, no novo Código de Direito Canônico, ela não vem expressamente mencionada como no Código anterior. Esta Sagrada Congregação quer responder que tal circunstância é devida a um critério relacional, seguido também quanto às outras associações igualmente não mencionadas, uma vez que estão compreendidas em categoria mais amplas. Permanece, entretanto, imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja, e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçônicas estão em estado de pecado grave, e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão. Não compete às autoridades eclesiásticas locais pronunciarem-se sobre a natureza das associações maçônicas, com juízo que implique derrogação de quanto foi acima estabelecido, e isto segundo a mente da Declaração desta Sagrada Congregação, de 17 de fevereiro de 1981 (cf. AAS 73, 1981, pp. 240-241). O Sumo Pontífice João Paulo II, durante a Audiência concedida ao subscrito Cardeal Prefeito, aprovou a presente Declaração, decidida na reunião ordinária desta Sagrada Congregação, e ordenou a sua publicação. Roma, da Sede da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, 26 de novembro de 1983". (Obra citada, pág. 100 e 101).

E o que diz a maçonaria? Vejamos:

Católico e Maçom?


C. W. Leadbeater, conhecido escritor maçônico, sustenta que "seria um empreendimento colossal escrever uma história da Maçonaria, pois seriam necessários conhecimentos enciclopédicos e muitos anos de pesquisas".

Por seu lado, Marius Lepage, em seu livro História e Doutrina Franco-Maçonaria, após perguntar "quem poderia escrever uma história da Ordem em algumas semanas?", responde que "seriam necessários anos de trabalho".

Dom Ivo Lorscheiter, Bispo responsável pelo Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, escreve e assina: "O estudo da Maçonaria é, sem dúvida, difícil e complexo. Sua história, suas concepções profundas, suas atitudes concretas, as sucessivas severas manifestações do Magistério da Igreja Católica, o espírito de diálogo hoje reinante - tudo parece conduzir a esta pergunta fundamental e de largas consequências: Afinal, a Maçonaria e a Doutrina Católica são conciliáveis entra si?".

Todavia, todas as dificuldades apontadas e conhecidas não impediram que a Maçonaria fosse agredida, injuriada, caluniada e condenada por muitos, mas principalmente pela Igreja Católica Apostólica Romana. Vários Papas, que são os bispos da Diocese de Roma, chefes e reis do Estado Pontifício com sede no Vaticano, têm condenado a Maçonaria, e eles foram:

Clemente XII - Bula "In eminenti" -1738.

Bento XIV - Bula "Provida Romanorum Pontificum" - 1751.

Pio VII - Bula "Ecelesian a Jesus Christo" - l800

Leão XII - Bula "Onde .Graviora" - 1823.

Pio VIII - Encíclica de 20/3/1829.

Pio IX - Encíclica "Omi Pluribus" = 1864 - Alocução de 20/4/1864 - Encíclica Nascita et Nobiscum - 1894 - Constituição Apostólica "SEDIS" - 1869

Leão XIII - Encíclicas de 1872, 1878, 1884 e 1892.

Não vamos comentar todas as Bulas e Encíclicas. Vamos apontar as duas realmente importantes para o nosso trabalho:

Clemente XII: a primeira condenação da Maçonaria. Notem que haviam decorridos apenas 21 anos da constituição da Grande Loja de Londres (24/6/1717), e portanto a Ordem era pouco conhecida do Vaticano. Alguns escritores afirmam que "o motivo da condenação não era religioso, mas de ordem política".

Entretanto, o Padre Ferrer Benimeli, conhecido maçonólogo, garante que "esta hipótese é totalmente insustentável do ponto de vista histórico, à luz da documentação vaticana da época".

O Padre Jesus Hortal, é teólogo e canonista, muito ligado aos temas de ecumenismo e diálogo interreligioso; nos esclarece que o documento de Clemente XII é algo obscuro na sua redação, mas que o resumo dele feito na Bula "Providas Romanorum Portificum" promulgada pelo Papa Bento XIV aos 18 de maio de 1751 oferece uma melhor compreensão, pois ali estão enumeradas seis razões para a condenação:

"a primeira é que, nas tais sociedades e assembléias secretas, estão filiados indistintamente homens de todos os credos; daí ser evidente a resultante de um grande perigo para a pureza da religião católica;

"a segunda é a obrigação estrita do segredo indevassável, pelo qual se oculta tudo que se passa nas assembléias secretas;

"a terceira é o juramento pelo qual se comprometem a guardar inviolável segredo, como se fosse permitido a qualquer um apoiar-se numa promessa ou juramento com o fato de furtar-se a prestar declarações ao legitimo poder... ;

"a quarta é que tais sociedades são reconhecidamente contrárias às sanções civis e canônicas ...;

"a quinta é que em muitos países as ditas sociedades e agremiações foram proscritas e eliminadas por leis de princípio seculares;

"a última enfim é que tais sociedades e agremiações por homens prudentes e honestos".

Não é nosso objetivo, pelo menos hoje, discutir ou debater as seis razões apontadas acima, as quais serviram para os Papas Clemente XII em 1738 cominar a pena de excomunhão, e Bento XIV, em 1751, confirmá-la.

Não se iludam. Já se passaram 260 anos da condenação de Clemente XII, e a posição da Igreja de Roma não mudou nada com relação à maçonaria e aos católicos que são iniciados na ordem maçônica, como veremos adiante.

Além de considerar a maçonaria como uma seita, entre outras, conforme se constata na Constituição Apostólica Ecelesian, 13/9/1821, do Papa Pio VII, condenando especificamente a Carbonária, mas estabelecendo um laço de continuidade com os maçons do século XVIII condenados por - Clemente XII e Bento XIV. Ainda mais: O Papa Leão XII na Bula ."Quo Graiora", 13/5/1825, considerou a maçonaria como uma sociedade - que tem como finalidade "maquinar (ou seja, conspirar) contra a Igreja e os legítimos poderes do Estado", conforme se lê nos Estudos da CNBB n° 66, produzido pelo Padre Jesus Hortal.

Em 1917, quando foi promulgado o primeiro Código de Direito Canônico, manter-se a proibição dos católicos filiarem-se à Maçonaria. Lá estava bem clara a pena de excomunhão (cânon 2335). Passaram-se mais 57 anos, e, em 1974, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé (SCDF) enviou uma carta a algumas conferências Episcopais mantendo a pena do Cânon 2335 (excomunhão) para os que se inscreverem na ordem maçônica.

É muito importante a Declaração dos Bispos Alemães, publicadas em 12/5/1980, que conclui " pela inconciabilidade, pelos seguintes motivos, entre outros:

"a maçonaria admite um conhecimento objetivo de Deus, no sentido pessoal do "teísmo". O 'Grande Arquiteto do Universo' é 'algo' neutro, indefinido e aberto a qualquer interpretação;

a maçonaria apresenta aos seus membros uma exigência de totalidade, que reclama uma pertença a ela na vida e na morte, o que parece não deixar espaço para a igreja".

Logo a seguir, uma declaração da SCDF, em 17/2/1981, confirmam e precisa:

"não foi modificada de algum modo a disciplina canônica, que permanece em todo o seu vigor";

"NÃO FOI PORTANTO AB-ROGADA A EXCOMUNHÃO NEM AS OUTRAS PENAS CANÔNICAS PREVISTAS".

A 26/11/1983 na véspera da entrada em vigor do novo Código de Direito Canônico, a Congregação para a Doutrina da Fé, agora sob a direção do Cardeal Ratzinger, reafirma:

"Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, pois seus princípios FORAM SEMPRE CONSIDERADOS INCONCILIÁVEIS COM A DOUTRINA DA IGREJA e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçônicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão. O Sumo Pontífice João Paulo II, durante audiência concedida ao subscrito cardeal Prefeito, aprovou a presente declaração, e ordenou a sua publicação".

Parece-nos sem sombra de qualquer dúvida, ser impossível para o católico uma dupla fidelidade eclesial e maçônica.

A linha 5 da CNBB, desde alguns anos vem realizando com a presença de bispos e sacerdotes, bem como um grupo de maçons convidados - nós comparecemos em quatro reuniões - cujo assunto principal era saber se a doutrina católica, era ou é compatível com a doutrina maçônica. Após inúmeras discussões, que duraram anos, os maçons não conseguiram obter nenhuma declaração favorável à maçonaria. Sempre esbarraram nos cânones do Vaticano, em vigor até hoje. Na última reunião, realizada no dia 13/10/l997, o tema conciabilidade entre maçonaria e igreja católica foi abandonado, e agendado: o simbolismo dos três primeiros graus, com interpretação católica e interpretação maçônica.

Por tudo o que já foi apresentado documentadamente, preferimos concordar com o Padre Jesus Hortal:

"Maçonaria e Igreja Católica são simplesmente inconciliáveis, com uma inconciabilidade que não depende de conjunturas históricas, nem de ações particulares, mas que é intrínseca à própria natureza de ambas as instituições".

Autor: Renato Brenner Napoleão
Fonte: Lista "Reflexões"/Jornal "O TEMPLÁRIO" nº 3, da Loja Maçônica Fraternidade nº 3 (RS)

Mensagens Subliminares

O que fazer?
A mensagem subliminar existe mesmo e é preciso evitá-la quando for possível saber que existe.
Contudo, não é fácil identificar, pois elas são escondidas; então, o melhor, é se consagrar a Deus sempre, mediante uma vida de oração e de vivência sacramental, para estar livre de suas mazelas.


O que não aceitamos conscientemente, não é pecado e não ofende a Deus, e não abre as portas da alma para o demônio.

Prof. Felipe Aquino

Comissão médica aprova milagre atribuído a Papa João Paulo II

Cidade do Vaticano (Quinta-feira, 06-01-2011, Gaudium Press) Nesta última terça-feira, 04, foi dado mais um passo rumo à beatificação de João Paulo II, conforme jornais italianos. Isto porque, uma comissão médica consultada pela Congregação para a Causa dos Santos aprovou um milagre atribuído ao pontífice. Com informações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

A comissão, formada por médicos e teólogos e liderada pelo médico particular do Papa Bento XVI, Patrizio Polisca, considerou "imediata e inexplicável" a melhora da freira francesa Marie Simon-Pierre. A religiosa, que sofria de mal de Parkinson, curou-se após orações e pedidos a João Paulo II poucos meses após a morte do pontífice em abril de 2005.

Agora, a aprovação dos especialistas deverá ser ratificada por uma comissão e cardeais e bispos da Congregação para a Causa dos Santos.

Fonte: GaudiumPress

sábado, 18 de dezembro de 2010

CAMINHAR SOB O OLHAR DE JESUS

E continua o diálogo com seu médico Dr. Roque:
"-No dia da primeira pregação vi que não estava bem, pois não conseguia desenvolver a palestra com a desenvoltura de sempre. Não conseguia achar graça em nada. Você sabe muito bem, doutor, que gosto de fazer alguma graça, para chamar a atenção do povo, mas naquele dia, nada dava certo, nada estava bom. Quando terminei a pregação, até falei para o padre Jonas que minha fala naquele dia não tinha sido boa. Acho que foi uma das piores da minha vida.
No dia seguinte acordei com uma dor muito forte do lado direito da barriga, que me impedia de respirar, de me mexer, de andar... Fomos a Guaratinguetá onde após exame pediram que eu fizesse um ultra-som de abdome que mostrou nódulos no fígado...
No dia seguinte, enquanto almoçávamos na casa do padre
Jonas, comecei a sentir minha boca estranha, repuxando como das outras vezes, mas foi ficando mais forte incontrolável e daí para frente não sei mais nada, mal me lembro de ter estado em outro hospital". (do livro: "Médico, graças a Deus!")

Acampamento de Carnaval, Canção Nova, dia 27 de Fevereiro de 2006, padre Léo faz a sua última pregação daquele carnaval, com o tema: “A verdade é o caminho para felicidade”. No dia 28, terça feira de carnaval, padre Léo é internado no hospital do Vale do Paraíba, com convulsão.

Um anjo desceu do céu para agitar as águas de sua vida. No meio de uma multidão de enfermos, esperando para entrar naquele tanque, Jesus o escolheu. Jesus o visitou para lhe devolver a liberdade. Afinal foi para a liberdade que Cristo nos resgatou!
Em busca da liberdade, ele caminhou para encontrar o verdadeiro sentido de sua existência, e experimentou o poder da cruz de Cristo em sua vida. E foi ali, aos pés da cruz e diante do coração transpassado de Jesus, ele viveu a mais profunda experiência da presença de Deus. O amor de Deus estava na sua dor, no seu sofrimento, na secura do deserto, nas suas ''noites escuras''. Recebeu muitas graças que o despertou para a vida.

E Jesus estava ali para lhe dar as últimas instruções. Não teve mais nada a fazer a não ser obedecê-lo. Traçou uma meta: a sua santificação.
A partir daí, tomou consciência de que tinha que caminhar para a sua vida plena. Dependia de uma fé viva, muito mais do que quando se encontrou com Jesus pela primeira vez.
Começa, então uma nova história: uma história de conversão, uma história de fidelidade ao Senhor, uma história trilhada sob o olhar de Jesus, caminho de dor e de sofrimento.

Jesus convida-o a subir a montanha para ter uma nova experiência com o seu Senhor. Ele vai ser transfigurado com Jesus.
A grande conversão, aconteceu gota a gota, no silêncio da dor, no grito da alma, em cada lágrima derramada.

Feliz é aquele que segue seu caminho confiando em Deus!
E com essa fé, caminhou...

sábado, 20 de novembro de 2010

Escatologia católica

IGREJA CATÓLICA E ESCATOLOGIA
Escatologia é o estudo sobre os “últimos acontecimentos”. A palavra vem do grego eschatón (= último). Se refere ao término da história da salvação. Sem isto não compreendemos a vida da Igreja. Os romanos diziam: “em tudo que faças, considera o fim, pois é o fim que dita o itinerário a percorrer”. A realização da Igreja se dará plenamente só na eternidade. O Concílio Vaticano II afirma: “É no fim dos tempos que será gloriosamente consumada [a Igreja], quando, segundo se lê nos Santos Padres, todos os justos, desde Adão, do justo Abel até o último eleito, serão congregados junto ao Pai na Igreja universal” (LG,2). “A Igreja à qual somos todos chamados em Jesus Cristo... só será consumada na glória celeste, quando chegar o tempo da restauração de todas as coisas; e, como o gênero humano, também o mundo inteiro, que está intimamente unido ao homem e por ele atinge o seu fim, será totalmente renovado em Cristo” (LG,48). Muitas passagens das Escrituras mostram isso: At 3,21 ´ “Enviará ele o Cristo que vos foi destinado, Jesus, aquele que o céu deve conservar até os tempos da restauração universal, da qual falou Deus pela boca dos seus santos profetas”. Quando de sua vinda gloriosa, Cristo inaugurará o seu Reino definitivo e toda a criação será renovada. 1Cor 15,24´28 ´ “Depois, virá o fim, quando entregar o Reino a Deus, ao Pai, depois de haver destruído todo principado, toda potestade e toda dominação. Porque é necessário que ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés... E, quando tudo lhe estiver sujeito, então também o próprio Filho renderá homenagem àquele que lhe sujeitou todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo em todos”. São Paulo nos ensina que este é o “misterioso” desígnio da vontade do Pai na plenitude dos tempos: Ef 1,10 ´ “Reunir em Cristo todas as coisas que estão na terra e no céu”. Col 1,20 ´ “E por seu intermédio reconciliar consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quando existe na terra e nos céus”. São Pedro fala dessa renovação do mundo e da gloria da Igreja: 2Pe 3,10´13 ´ “Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém... Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça”. Sabemos que São Pedro escreve numa linguagem apocalíptica, e que não pode ser interpretada ao pé da letra. O que sabemos de certo é que haverá a consumação do universo e a glória da Igreja, segundo o desígnio de Deus. Is 65,16 ´ “Eis que faço novos céus e nova terra; e ninguém mais se recordará das coisas passadas; elas já não voltarão à mente”. Ap 21,1 ´ “Vi um céu novo e uma terra nova, pois o primeiro céu e a primeira terra haviam desaparecido”. É interessante notar o que Jesus disse aos apóstolos: Mt 19,28 ´ “No dia da renovação do mundo, quando o Filho do homem estiver sentado no trono da glória...” Mt 28,20 ´ “Eis que estou convosco até a consumação do século”. Com relação à data em que acontecerá a renovação do mundo e a inauguração definitiva do Reino de Deus, ninguém sabe e não deve especular a respeito. Muitos se enganaram sobre isto e levaram muitos outros ao engano e ao desespero. Até grandes santos da Igreja erraram neste ponto.

Podemos citar alguns exemplos: S. Hipólito de Roma (†235) ´ chegou a afirmar que o final do mundo seria no ano 500... Santo Irineu (†202) ´ confirmava a tese do Ps Barnabé, de que o final seria no ano 6000 após a criação do mundo... Santo Ambrósio (†397) e S. Hilário de Poitres (†367) ´ apoiaram a mesma tese anterior. S. Gaudêncio de Bréscia (†405) ´ indicava o ano 7000 após a criação. No século V, com a queda de Roma (476), S. Jeronimo (†420), S.João Crisóstomo (†407), S.Leão Magno (†461), defendiam que face à queda de Roma, o fim do mundo estava próximo... No século VI e VII, S. Gregório Magno (†604) afirmava como próxima a vinda de Cristo... Muitas vezes as profecias sobre a vinda de Cristo iminente são sugeridas pela necessidade que temos de encontrar uma “saída” para os tempos dificeis em que se vive. Por isso a Igreja é muito cautelosa nesse ponto, e sempre nos lembra: At 1,7 ´ “Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por sua própria autoridade”. Mc 13,32 ´ “Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém os conhece, nem mesmo os anjos do céu, nem mesmo o Filho, mas, sim, o Pai só”. Santo Agostinho interpreta essa passagem dizendo que Jesus diz não saber esta data, porque está fora do depósito das verdades que Ele veio revelar aos homens; não pertence à sua missão de Salvador revelar essa data (In Ps 36 Migne 36,355). O Magistério da Igreja quer que se respeite essa vontade de Deus de deixar oculta aos homens essa data. No Concílio Universal de Latrão V, em 1516, foi decretado: “Mandamos a todos os que estão, ou futuramente estarão incumbidos da pregação, que de modo nenhum presumam afirmar ou apregoar determinada época para os males vindouros para a vinda do Anticristo ou para o dia do juízo. Com efeito a Verdade diz: “Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por Sua própria autoridade. Consta que os que até hoje ousaram afirmar tais coisas mentiram, e, por causa deles, não pouco sofreu a autoridade daqueles que pregam com retidão. Ninguém ouse predizer o futuro apelando para a Sagrada Escritura, nem afirmar o que quer que seja, como se o tivesse recebido do Espírito Santo ou de revelação particular, nem ouse apoiar´se sobre conjecturas vãs ou despropositadas. Cada qual deve, segundo o preceito divino, pregar o Evangelho a toda a criatura, aprender a detestar o vício, recomendar e ensinar a prática das virtudes, a paz e a caridade mútuas, tão recomendadas por nosso Redentor”. Em 1318, o Papa João XXII, condenando os erros dos chamados Fraticelli disse: “Há muitas outras coisas que esses homens presunçosos descrevem como que em sonho a respeito do curso dos tempos e do fim do mundo, muitas coisas a respeito da vinda do Anticristo, que lhes parece estar às portas, e que eles anunciam com vaidade lamentável. Declaramos que tais coisas são, em parte, frenéticas, em parte doentias, em parte fabulosas. Por isso nós os condenamos com os seus autores em vez de as divulgar ou refutar” (Curso de Escatologia ´ D. Estevão Bettencourt, págs. 123 / 124). A esperança da Igreja é a vida eterna onde o Reino de Deus será pleno. Jesus disse a Pilatos: “Meu Reino não é deste mundo” (Jo 18,36). Por isso, a Igreja aguarda vigilante a vinda do Senhor. Era a esperança dos Apóstolos: Col 3,4 ´ “Quando Cristo, nossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória”. 1Jo 3,2 ´ ´Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, por quanto o veremos como Ele é´. Fil 3,20 ´ “Nós porém, somos cidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo, tornando´o semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda criatura”. A Igreja sabe que é peregrina neste mundo. O termo Paróquia quer dizer “terra de exílio”. São Paulo expressa bem esta realidade: 2Cor 5,6 ´ “Sabemos que todo o tempo que passamos no corpo é um exílio longe do Senhor. Andamos na fé e não na visão. Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar´nos deste corpo para ir habitar junto do Senhor”. E o Apóstolo suspirava estar com Cristo: Fil 1,23 ´ “Sinto´me pressionado dos dois lados: por uma parte, desejaria desprender´me para estar com Cristo ´ o que seria imensamente melhor”. Fil 1,21 ´ “Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”. Antes, porém, de reinarmos com Cristo compareceremos diante dele: 2Cor 5,10 ´ “Porque teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo, a fim de cada um ser remunerado pelas obras da vida corporal, conforme tiver praticado o bem ou o mal”. E a esperança do Apóstolo é grande: Rom 8,18 ´ “Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não tem proporção alguma com a glória que há de revelar´se em nós “. 2Tm 2,11´12 ´ “Eis uma verdade absolutamente certa: Se morrermos com Ele, com Ele viveremos. Se soubermos perseverar com Ele reinaremos”. Tt 2,13 ´ “Na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”. Por esta esperança a Igreja busca a santidade, pois sabe que sem ela “ninguém pode ver o Senhor” (Hb 12,14). Ser cristão em última instância, é desejar o céu, buscar a santidade e, para isso, despreender´se de todas as satisfações da terra, aspirando as celestes. Deus fez tudo nesta vida precário, passageiro, transitório, para que não nos acostumemos a viver na terra, como se aqui fosse o céu. O destino da Igreja é o céu, a terra é o caminho. Os santos ansiavam pelo céu, diziam como santa Teresinha: “Tenho sede do céu, dessa mansão bem´aventurada, onde se amará Deus sem restrições”. São belas, sobre o céu, as palavras de São Paulo: 1Cor 2,9 ´ “Os olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem coração humano imaginou o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”. 2Cor 5,1 ´ “Sabemos, com efeito, que, quando for destruída esta tenda em que vivemos na terra, temos no céu uma casa feita por Deus, uma habitação eterna, que não foi feita por mãos humanas”. E não se importava com o próprio envelhecimento: 2Cor 4,16 ´ “Ainda que em nós se destrua o homem exterior, o interior renova´se de dia para dia”.

Jesus nos chama a olhar para o céu: Mt 6,19´21 ´ “Não ajunteis para vós tesouros na terra... Ajuntai para vós tesouros no céu... porque, onde está o teu tesouro, lá também está teu coração”. A maioria dos homens, mesmo os cristãos, ainda têm o tesouro e o coração na terra; por isso suas vidas espirituais são tíbias e os frutos são poucos. Mt 18,21 ´ “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, e dá aos pobres, terás um tesouro no céu”. Não é sem razão que S.Leão Magno dizia que “as mãos do pobre são o Banco de Deus”. Mc 8,36 ´ “Que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida? “ Santo Agostinho perguntava: “De que vale viver bem, se não me é dado viver sempre?” Jo 14,2´3 ´ “Na cada do meu Pai há muitas moradas... vou preparar´vos um lugar. Depois de ir, e vos preparar um lugar, voltarei e tomar´vos´ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais”. Infelizmente hoje, para o mundo, eternidade parece ser uma palavra morta. É a chamada “secularização”, o amor a este século, ao tempo presente. O materialismo, o relativismo, o liberalismo e o hedonismo (busca do prazer como fim) geraram a perda do infinito, do céu, onde está a grande realização do homem. Por isso hoje ele se arrasta como um verme e se desespera na lama da imoralidade, da depressão e do vazio. Pagamos dolorosamente o preço da perda da fé e da esperança. Só Deus pode satisfazer “a fome” infinita que o homem traz em si ´ como ensina Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja ´ pois, as criaturas não podem satisfazê´lo, uma vez que são inferiores ao homem. “Só Deus basta”. O Corpo de Cristo, a Igreja, subsiste em três estados: militante, que está na terra a lutar; padecente, que se purifica no purgatório e triunfante, que já vive a bem´aventurança do céu. Ensina´nos o Concílio Vaticano II que: “Até que o Senhor venha em sua majestade e com ele todos os anjos, e destruída a morte, todas as coisas lhe sejam sujeitas, alguns dentre os seus discípulos peregrinam na terra, outros, terminada esta vida, são purificados, enquanto outros são glorificados, vendo claramente o próprio Deus trino e uno, assim como é”. “A união dos que estão na terra com os irmãos que descansam na paz de Cristo, de maneira alguma se interrompe; pelo contrário, segundo a fé perene da Igreja, vê´se fortalecida pela comunhão dos bens espirituais”(LG, 49). Essa comunhão de bens espirituais, que é um verdadeiro intercâmbio de graças, é a riqueza da “Comunhão dos Santos”. Diz a “Lumen Gentium” que: “Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós junto do Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Jesus Cristo. Por conseguinte, pela fraterna solicitude deles, a nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (idem) São Domingos, já moribundo dizia a seus irmãos : “Não choreis! Ser´vos´ei mais útil após a minha morte e ajudar´vos´ei mais eficazmente do que durante a minha vida” (CIC, 956). O mesmo dizia Santa Teresinha : “Passarei meu céu fazendo bem na terra” (idem). A Igreja acredita desde os primórdios na salutar “intercessão dos santos” e também na “comunhão com os falecidos”. E nos ensina que : “A nossa oração por eles pode não somente ajudá´los, mas também tornar eficaz a sua intercessão por nós” (CIC, 958). A primeira atestação da crença numa oração dos justos falecidos em favor dos vivos, a Igreja viu no segundo livro de Macabeus. Judas Macabeus, enfrentando o adversário Nicanor, que desejava destruir o Templo, na época da perseguição do terrível Antíoco Epífanes (166´160) aC., colocando toda a sua confiança em Deus, teve um sonho, uma espécie de visão: ´Ora, assim foi o espetáculo que lhe coube apreciar: Onias, que tinha sido sumo sacerdote, homem honesto e bom, modesto no trato e de caráter manso...estava com as mãos estendidas, intercedendo por toda a comunidade dos judeus. Apareceu da mesma forma, um homem notável pelos cabelos brancos e pela dignidade, sendo maravilhosa e majestosíssima a superioridade que o circundava. Tomando a palavra disse Onias: ´ Este é o amigo dos seus irmãos, aquele que muito reza pelo povo e por toda a cidade santa, Jeremias, o profeta de Deus´. Estendendo por sua vez a mão direita, Jeremias entregou a Judas uma espada de ouro, pronunciando essas palavras enquanto a entregava: ´ Recebe esta espada santa, presente de Deus, por meio da qual esmagarás os teus adversários´ ´ (2Mac15,12´15). Esta visão de Judas Macabeus, mostra o grande sumo sacerdote Onias e o profeta Jeremias, ambos, então, já falecidos, intercedento pelo povo de Deus. Encontramos na Bíblia, a passagem em que Deus manda a Abimeleque que peça orações a Abraão: ´Ele rogará por ti e tu viverás´ (Gen20,7´17). Ainda sobre a intercessão dos santos por nós, a Igreja deixou claro no Concílio de Trento (1545´1563): ´Os santos que reinam agora com Cristo, oram a Deus pelos homens.

É bom e proveitoso invocar´lhes suplicantemente e recorrer às suas orações e intercessão, para que nos obtenham os benefícios de Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, único Salvador e Redentor nosso. São ímpios os que negam que se devam invocar os santos que já gozam da eterna felicidade no céu.Os que afirmam que eles não oram pelos homens, os que declaram que lhes pedir por cada um de nós em particular é idolatria, repugna à palavra de Deus e se opõe à honra de Jesus Cristo, único Mediador entre Deus e os homens´ (Sessão 25). Enfim, a Igreja é a “comunhão dos santos” . Na profissão de fé solene ´ o Credo do Povo de Deus ´ disse Paulo VI : “Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo, dos que são peregrinos na terra, dosdefundos que estão terminando a sua purificação, dos bem´aventurados do céu, formando todos juntos uma só Igreja, e cremos que nesta comunhão o amor misericordioso de Deus e dos seus santos está sempre à escuta das nossas orações “ (CPD, 30). A Eucaristia que celebramos é a antecipação litúrgica da feliz eternidade no Céu. Esta alegria que não tem fim, sempre foi representada pela festa de Bodas, do Noivo (Jesus) com a Noiva (a Igreja). A Eucaristia é a antecipação da consumação da glória da Igreja. Diz o Catecismo que : “À oferenda de Cristo unem´se não somente os membros que estão na terra, mas também os que já estão na glória do céu” (CIC, 1370). O altar em torno do qual a Igreja celebra a Eucaristia, representa, ao mesmo tempo, dois mistérios: “o altar do sacrifício” e a “mesa do Senhor” (CIC nº 1383). São João viu todo o esplendor da Igreja futura na visão do Apocalipse: a Cidade Santa, a Jerusalém celeste, a Noiva, a Esposa do Cordeiro, a filha de Sião : “Vem, e mostrar´te´ei a noiva, a esposa do Cordeiro. Levou´me em espírito a um grande e alto monte e mostrou´me a Cidade Santa, Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, revestida da glória de Deus” (Ap 21, 9´11). Note que bela comparação: “Assemelhava´se seu esplendor a uma pedra preciosa, tal como o jaspe cristalino. Tinha grande e alta muralha com doze portas, guardadas por doze anjos. Nas portas estavam gravados os nomes das doze tribos dos filhos de Israel ... A muralha tinha doze fundamentos com os nomes dos doze Apóstolos do Cordeiro ... O material da muralha era jaspe, e a cidade ouro puro, semelhante a puro cristal. Os alicerces da muralha da cidade eram ornados de toda espécie de pedras preciosas: o primeiro era jaspe, ... Cada uma das doze portas era feita de uma só pérola e a avenida da cidade era de ouro, transparente como cristal” (Apc. 21, 11´21). Este riquíssimo simbolismo tem grande significação em cada uma de suas palavras, e nos revela que esta cidade inimaginável na terra, só pode existir no céu; é a Igreja na sua glória consumada, onde cada um de nós é chamado a viver na comunhão de toda a família de Deus. Ele e o Cordeiro estão presentes, não haverá falta de nada ... Vejamos como continua a descrição: “Não vi nela, porém, templo algum, porque o Senhor é o seu templo, assim como o Cordeiro. A cidade não necessita de sol nem de lua para iluminar, porque a glória de Deus a ilumina, e a sua luz é o Cordeiro. As nações andarão à sua luz, e os reis da terra levar´lhe´ão a sua opulência. As suas portas não fecharão diariamente, pois não haverá noite ... Nela não entrará nada de profano nem ninguém que pratique abominações e mentiras, mas unicamente aqueles cujos nomes estão inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Apc. 21. 22´27). E continua a descrição da Cidade celeste : “Não haverá aí nada execrável, mas nela estará o trono de Deus e do Cordeiro. Seus servos lhes prestarão um culto. Verão a sua face e o seu nome estará nas suas frontes.

Já não haverá noite, nem se precisará da luz de lâmpada ou do sol, porque o Senhor Deus a iluminará, e hão de reinar pelos séculos dos séculos” (Ap 22, 1´5). Esta longa narração mostra a vitória e a gloriosa consumação final da Igreja. E o Apocalipse termina com o Senhor dizendo: “Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas”(22,14). “O Espírito e a Esposa dizem: Vem! Possa aquele que ouve dizer também: Vem ! ... Aquele que atesta estas coisas diz: Sim ! Eu venho depressa ! Amém. Vem, Senhor Jesus!” (22, 17´21). A glória futura da Igreja já está garantida, porque o seu Senhor já reina no céu, sentado à direita do Pai, aguardando o momento de consumar o seu Reino. ´Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou´se à direita de Deus´(Mc16,19). São Paulo explica na Carta aos Efésios todo o explendor de Cristo, ´Cabeça da Igreja´, já glorificado no céu: ´Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar´se à sua direita nos céus, bem acima de toda autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa nomear não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. Sim, Ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a cabeça da Igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal´(Ef 1,20´22). É preciso ter em mente que Jesus glorificado à direita do Pai, é o Verbo Encarnado, perfeitamente homem; assim, a humanidade, por Jesus, ´já voltou ao paraíso´, que havia perdido pelo pecado. Desta forma São Paulo nos exorta a vivermos cientes de que a nossa vida ´está escondida com Cristo em Deus´: ´Se portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai´vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com Ele na glória´ (Cl 3,1s) São Leão Magno(†431) dizia que: “Onde a Cabeça está, aí devem estar também os membros do corpo”. A Igreja tem plena consciência de que a sua glória está assegurada no céu, já que a ´Cabeça´ já está ´sentada à direita do Pai´. Na missa da festa da Ascensão do Senhor, rezamos: ´ Ó Deus todo poderoso, a ascensão do vosso Filho já é nossa vitória. Fazei´nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, membros de seu Corpo, somos chamados na esperança a participar da sua glória´. É nesta esperança que vive a Igreja: ´No mundo tereis tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo!´(Jo16,33). Sabemos, como nos ensina São Paulo na carta aos tessalonicenses, que a Igreja passará pela terrível “provação final”, que será também o momento de dar ao Senhor a prova maior do seu amor, e que será também a sua maior purificação. Após isto será consumada na sua glória. Então, “Deus será tudo em todos” (1Cor 15,28). Estará então restabelecida a “Família de Deus”, que no Paraíso foi dispersa pelo pecado. Novamente Deus viverá no “jardim” celeste com o homem (Gen 2,5´8), com toda a intimidade e comunhão desejadas desde o princípio. A harmonia que o pecado rompeu será restabelecida plenamente. É a imagem maravilhosa que o Profeta nos dá do Reino do Messias, onde só haverá paz: “Então o lobo será hóspede do cordeiro, a pantera se deitará ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos, e um menino pequeno os conduzirá; a vaca e o urso se fraternizarão, suas crias repousarão juntas, e o leão comerá palha com o boi. A criança de peito brincará junto a toca da víbora, e o menino desmamado meterá a mão na caverna da áspide. Não se fará mal nem dano em todo o meu monte santo, porque a terra estará cheia da ciência do Senhor, assim como as águas recobrem o fundo do mar” (Is 11, 6´9). Sobre a “última provação” que a Igreja deverá enfrentar, fala o Catecismo da Igreja : “Antes do Advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalará a fé de muitos crentes (cf Lc 18,8; Mt 24,12).

A perseguição que acompanha a peregrinação dela na terra (cf Lc 21,12; Jo 15, 19´20) desvendará o “mistério da iniquidade” sob a forma de uma impostura religiosa que há de trazer aos homens uma solução aparente aos seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A impostura religiosa suprema é a do Anticristo, isto é, a de um pseudomessianismo em que o homem se glorifica a si mesmo em lugar de Deus e do seu Messias que veio na carne (cf 2 Tes 2,4´12; 1 Ts 5,2´3; 2 Jo7; 1 Jo 2,18´22) (CIC, 675). O Catecismo explica que a grande impostura religiosa anticrística será uma falsificação do Reino de Deus, a ser implantado na terra, pelo próprio homem, sem a necessidade de Deus. É o ateísmo sistemático ´ já denunciado no santo Concílio Vaticano II (GS 20,21) ´ que leva o homem a se rebelar “contra qualquer dependência de Deus”. “Aqueles que professam tal ateísmo ´ disse o Concílio ´ sustentam que a liberdade consiste em o homem ser o seu próprio fim e o único artífice e demiurgo [ criador] de sua própria história. E pretendem que esta posição não pode harmonizar´se com o reconhecimento do Senhor ...” (GS, 20). A Igreja sabe que só entrará na glória do Reino passando por uma “Paixão” semelhante a do seu Senhor. O Catecismo afirma que: “O Reino não se realizará por um triunfo histórico da Igreja segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o desencadeamento último do mal (cf Ap 20,7´10), que fará a sua Esposa descer do Céu (Ap 21,2´4). Então, finalmente, “haverá um novo céu e uma nova terra” (Ap 21,1) e se realizará o que está escrito: “Eis a tenda de Deus com os homens. Ele habitará com eles; eles serão o seu povo, e ele, Deus´com´eles, será o seu Deus. Ele enxugará toda a lágrima dos seus olhos, pois nunca mais haverá morte, nem luto, nem clamor, e nem dor haverá mais. Sim ! As coisas antigas se foram !