Fazer o que Deus quer e querer o que Deus faz = Felicidade eterna O grande segredo da vida é saber administrar as perdas (Pe Léo) "O homem deve ler a bíblia para ser sábio; crer na bíblia para ser salvo e praticar a bíblia para ser santo."
domingo, 10 de novembro de 2013
A nova aposta Aleksandar Mandic, o senhor internet. Empresário criou um aplicativo e avisa que, com ele, conquistará o mundo.
Deve haver algo nos genes do clã Mandic que predispõe seus membros a empreitadas temerárias. Foi esse o caso de São Leopoldo Mandić – religioso da Ordem dos Capuchinhos, nascido em 1866 em território hoje pertencente a Montenegro, que se julgava predestinado a conseguir nada menos que a reunificação do cristianismo ortodoxo com o catolicismo romano.
Outro exemplo é Nikola Tesla, inventor sérvio (filho da também inventora Djouka Mandić) que no início do século 20 concebeu – e tentou colocar em prática – um plano para eletrificar todo o solo do planeta, de modo a que as pessoas pudessem ligar aparelhos diretamente no chão e não mais precisassem pagar por energia.
E por fim existe um homem nascido em São Paulo há 59 anos que foi, sucessivamente: o criador do pioneiro provedor de acesso à internet do país; o primeiro milionário verde-amarelo gerado pela web; um dos fundadores de uma das maiores empresas nacionais do setor; e, hoje, o idealizador de um dos aplicativos móveis brasileiros de maior sucesso mundial. Estamos nos referindo a Aleksandar Mandic – ou apenas Mandic, como se tornou conhecido ao longo de sua (impressionante) trajetória empresarial e pessoal.
Impressionante, antes de mais nada, pelo grau de autodidatismo. Mandic jamais fez faculdade. Formou-se em 1972 em um curso colegial técnico e, logo na sequência, se pôs a trabalhar. Isso talvez se explique em parte pela situação de relativa penúria gerada com a morte precoce de seu pai, Dragan Mandic, um imigrante sérvio, aos 48 anos.
“Meu pai era arquiteto, mas nunca conseguiu sucesso em sua profissão. Morreu pobre”, contou o empresário à FORBES Brasil na sede da companhia que leva seu nome, no bairro paulistano de Pinheiros. Sua mãe, Halina, que veio da Bielo-Rússia (hoje Belarus) para cá e faleceu há poucos anos, era dona de casa.
Mandic começou a trabalhar na filial local da Siemens também em 1972 “apertando parafusos”, como frisa. Ao deixar a empresa, em 1990, era chefe de uma equipe de mais de 50 engenheiros.
Por que saiu? Bem, um ano antes ele criara, em um quarto de seu apartamento, a Mandic BBS, e resolveu se dedicar só a ela. Não era, ainda, um serviço de internet tal como o conhecemos – dispunha, por exemplo, de míseros 60 megabytes de capacidade – mas, em uma época e em um país (o Brasil de então) onde o mundo virtual era quase que totalmente inexistente, tratou-se de uma pequena e silenciosa revolução, bem como a primeira das muitas apostas arriscadas que o empresário faria dali para a frente.
“Deixei a Siemens ganhando US$ 1.800 por mês”, recorda-se Mandic. “No primeiro ano, ganhei com a BBS US$ 3 mil – no ano todo. Foi um sufoco”. As coisas, porém, começaram a melhorar conforme mais pessoas iam aderindo à proto-internet criada por ele. “No segundo ano, a empresa já me rendeu US$ 30 mil. No terceiro, US$ 800 mil. Aí o negócio deslanchou – faturei US$ 2 milhões no quarto ano de atividade.”
E então surgiu alguém que teria grande importância para ele no futuro: Beto Sicupira, do GP Investimentos, propôs a Mandic a entrada do fundo no negócio – e ele aceitou. O GP Investimentos comprou 50% do capital da empresa, mas deixou seu criador no comando.
"Foram os melhores sócios que já tive”, diz ele. “Eram profissionais ao extremo. Cobravam retorno, mas não interferiam na gestão. Ajudavam, jamais atrapalhavam.” Resultado: por volta de 1997 o faturamento da companhia batia em US$ 14 milhões, e Mandic assumia o posto de nome mais reluzente da web brasileira.
“Chegamos a ser sondados pela AOL, que queria comprar a empresa para entrar no mercado nacional”, revela o empresário. “Mas não aceitei na ocasião, não me senti confortável em deixar a companhia.”
Ele relata essa trajetória andando de uma ponta a outra da sala onde concede a entrevista. Mandic, ainda hoje, é um homem agitado. Conta que namora, e tem três filhos – cada um de uma ex- mulher diferente. O primeiro mora na Noruega, onde trabalha na indústria petrolífera. Outro vive no Canadá, lida com tecnologia e não fala português (sua mãe é espanhola, e o rapaz nunca residiu no Brasil).
O terceiro filho, diz rindo, trabalha na África – e logo emenda: “Na África do Nizan Guanaes!”, referindo-se à famosa agência de publicidade de seu amigo. Amigo, e ex-colega dentro da mais polêmica iniciativa já surgida na internet brasileira.
No final dos anos 90, tanto ele como o GP Investimentos venderam a Mandic para uma empresa argentina, chamada O Site. Pouco tempo após a operação, Sicupira ligou e disse: “Estamos montando algo que, se eu te contar, você larga agora o que estiver fazendo e vem trabalhar aqui”. Resposta dele, no ato: “Beto, o convite já está aceito; só preciso saber do que se trata”. Tratava-se do iG. “O nome iG foi sugestão minha”, revela.
“O presidente da companhia era o Nizan, e trabalhar com ele foi algo extraordinário.” Mandic observa que, no começo, estava desconfiado. “Eu perguntei: mas Nizan, o que você entende de internet? Resposta que recebi: ‘Baiano adora uma rede’.”
Durante dois anos ele atuou como vice-presidente de novos negócios da empresa. Então, em setembro de 2001, despediu-se do iG e resolveu voltar ao mercado em voo solo. No ano seguinte reabriu a Mandic, dessa vez focando a companhia no fornecimento de e-mails corporativos para clientes de alto poder aquisitivo.
Hoje a empresa não mais lhe pertence, embora ainda tenha seu nome e ele tenha livre trânsito em suas instalações. O empresário a vendeu, em março de 2012, a um fundo de investimentos especializado em companhias de alta tecnologia, o Riverwood Capital — por R$ 100 milhões. Com o dinheiro, comprou uma pequena participação no próprio Riverwood, e hoje atua como conselheiro na firma que (re)criou.
Atualmente, a empresa vem se dedicando cada vez mais ao ramo da computação em nuvem, onde compete com rivais como Locaweb, UOL Host e a norte-americana Amazon Web Services, dentre outros.
Mandic é poliglota. Além do português, domina o alemão, o espanhol e o sérvio – mas, curiosamente, não fala inglês. Ainda assim sua trajetória empresarial tornou-se case em uma universidade norte-americana, Harvard. Não parece se importar em ter estudado pouco: “A Siemens representou para mim a faculdade que não fiz, o GP foi o mestrado que não cursei e trabalhar com o Nizan foi o doutorado que não tive”, arremata.
É cético, inclusive, a respeito da mitologia surgida em torno do próprio nome. “Falam que tudo o que faço dá certo, mas não é bem assim. Na verdade, eu fiz dinheiro rapidamente... ao longo de mais de 20 anos.”
E, de fato, este homem repleto de vitórias carrega ao menos um insucesso claro: a candidatura a deputado federal pelo DEM/SP em 2010. Sua plataforma era conectar toda a população à internet. Obteve 10.981 votos. Não conseguiu se eleger. “Eu sempre digo que, na vida, você precisa ter sorte. Tive a sorte de não virar deputado, mesmo tendo tentado. A política não é minha vocação”, afirma. Percebe-se, porém, que fala com algum amargor sobre o episódio.
Em contrapartida, ele é todo entusiasmo ao discorrer sobre sua mais nova investida no mundo dos negócios on-line: o “Mandic Magic”, aplicativo (app) concebido por ele, uma espécie de radar que detecta pontos de acesso wi-fi.
O software fornece as senhas de conexões à internet próximas ao local onde seu usuário se encontra. Uma ideia simples, que ninguém tivera até então – e que vem fazendo enorme sucesso. Até o momento, mais de 1,1 milhão de pessoas em todo o mundo já baixaram e usaram o aplicativo em seus smartphones. Quanto dinheiro Mandic ganhou com isso? Por enquanto, nenhum.
“Mas também não gastei um tostão sequer desenvolvendo o sistema, só tempo e neurônios. Quando chegar a hora, isso será monetizado”, explica ele, usando um termo típico da web.
Mas de que forma? “A grande onda do momento são as redes sociais”, explica Mandic. “Ora, o “Mandic Magic” é isto, uma grande rede social. Quando tivermos, digamos, 40 milhões de usuários, posso me associar a algum gigante da internet, como o Facebook ou o Google. Ou posso passar a cobrar US$ 1 por cada novo download do app. Ou, talvez, colocar algum tipo de propaganda no sistema. São muitas as possibilidades. Com esse aplicativo, não vou me contentar com pouco: quero dominar o mundo”, diz ele, com uma expressão que oscila entre o sério e o jocoso.
Em se tratando de Aleksandar, talvez o mais indicado seja acreditar. São Leopoldo e Tesla (que são seus parentes distantes) estão aí para lembrar que jamais é prudente desconfiar de um Mandic. Por Alex Ricciardi
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